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quinta-feira, 22 de maio de 2014

A VIAGEM


Dia desses, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem.
Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada. 
Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques... 
Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, 
acreditamos que farão conosco a viagem até o fim:
nossos pais.
Não é verdade.
Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção, amor e afeto. 
Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes 
que virão ser especiais para nós: 
nossos irmãos, amigos e amores. Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. 
Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa. 
Muitos descem e deixam saudades eternas. 
Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, 
ninguém sequer percebe. 
Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. 
Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. 
O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar
Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques.
Sabemos que esse trem jamais volta. 
Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, 
e, provavelmente, precisaremos entender isso. 
Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. 
E, certamente, alguém nos entenderá
O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos.
E fico pensando:
quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim.Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido. 
Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. 
E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que 
essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa. 
Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. 
Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... 
Quem entrará? Quem sairá?
Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas, também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar. 
Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. 
Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver,é tirar o melhor de "todos os passageiros". 
Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem, e por mais que 
nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, o vagão é o mesmo.

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